SCIENZA
O que acontece no corpo quando comes açúcares: glicose e insulina explicadas de forma simples
Publicado a 16 de junho de 2026
O que acontece realmente quando comes pão, massa ou doces? A viagem do açúcar no sangue, o papel da insulina e porque conta para a dieta cetogénica — explicado de forma simples.

Conheces aquela sonolência depois de um prato abundante de massa ou de uma fatia de bolo? Não é por acaso: é o teu metabolismo a trabalhar. Perceber o que acontece no corpo quando comes açúcares é o primeiro passo para dar sentido à dieta cetogénica. Vamos vê-lo sem rodeios.
Do prato ao sangue: açúcares e amidos
Quando comes algo doce (açúcar) ou rico em amidos (pão, massa, arroz, batatas), o corpo decompõe estes hidratos de carbono em glicose, um açúcar simples. O amido, no fundo, não é mais do que muitas moléculas de glicose ligadas entre si: por isso até um alimento "não doce" como o pão faz subir a glicemia.
A glicose passa para o sangue. A glicemia é precisamente a quantidade de glicose no sangue num dado momento. Depois de uma refeição rica em hidratos de carbono refinados, sobe depressa.
A insulina: a hormona "armazenista"
Quando a glicemia sobe, o pâncreas liberta uma hormona: a insulina. Imagina-a como um armazenista que bate à porta das células e diz: "Chegou glicose, deixem-na entrar".
A insulina faz três coisas:
- Abre as portas das células (músculos, órgãos) para que usem a glicose como energia.
- Faz armazenar a glicose em excesso no fígado e nos músculos sob a forma de glicogénio (a "despensa" de curto prazo).
- Quando a despensa está cheia, converte o excesso em gordura.
Ponto-chave: quando a insulina está alta, o corpo armazena (também gordura) e deixa de a queimar.
O papel do fígado
O fígado é o realizador silencioso: armazena glicogénio quando há abundância e liberta-o quando estás em jejum, para manter estável a glicemia. É também o órgão que, em carência de hidratos de carbono, produz as cetonas.
Quando o sistema encrava: a resistência à insulina
Se a glicemia dispara para cima constantemente — muitos açúcares e hidratos de carbono refinados, todos os dias — o pâncreas tem de bombear cada vez mais insulina. Com o tempo as células "deixam de responder bem" ao seu sinal: é a resistência à insulina, hoje considerada na raiz de muitos problemas metabólicos. É exatamente o tema que o Dr. Benjamin Bikman explica em Why We Get Sick, e que o Dr. Robert Lustig liga ao açúcar em Metabolical.
E a dieta cetogénica?
A lógica da keto parte precisamente daqui: se comes pouquíssimos hidratos de carbono, a glicemia mantém-se baixa e estável, portanto a insulina mantém-se baixa. Com pouca insulina em circulação, o corpo já não tem motivo para armazenar e começa a recorrer à gordura. Quando os hidratos de carbono escasseiam por muito tempo, o fígado produz as cetonas, um combustível alternativo obtido a partir das gorduras: é o estado de cetose.
Em palavras simples: menos picos de açúcar → menos insulina → mais facilidade em usar a gordura como energia.
Na prática: medir para perceber
A forma mais direta de ver tudo isto no teu corpo é medir como reages aos diferentes alimentos com um glucómetro: descobres, com os dados na mão, quais alimentos te fazem disparar a glicemia e quais não.
E se quiseres calcular por onde começar com os macronutrientes, usa a nossa calculadora de macros keto.
Para aprofundar
- Dr. Robert Lustig — Metabolical: açúcar e comida processada.
- Dr. Benjamin Bikman — Why We Get Sick: a resistência à insulina bem explicada.
- Dr. Jason Fung — O código da obesidade: insulina e emagrecimento.
Este artigo tem fim puramente informativo e divulgativo e não constitui aconselhamento médico ou nutricional personalizado. Alguns links são afiliados: ao comprares através deles poderemos receber uma pequena comissão, sem custos adicionais para ti.
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